Uso do Ultrassom no combate ao biofilme de lesões complexas
- Iza Amorim

- 8 de fev.
- 4 min de leitura

O uso de ultrassom, especificamente o desbridamento ultrassônico, é uma técnica avançada e eficaz para a remoção de biofilme em feridas crônicas e de difícil cicatrização. Diferente de métodos cortantes tradicionais, o ultrassom utiliza energia acústica para desestruturar a matriz do biofilme e promover a limpeza do leito da ferida sem causar danos significativos aos tecidos saudáveis.
Como o Ultrassom Atua no Biofilme
O biofilme é uma comunidade bacteriana resistente envolta em uma substância polimérica (glicocálice) que impede a cicatrização. O ultrassom de baixa frequência atua da seguinte forma:
Cavitação: Cria microbolhas no líquido de irrigação que, ao colapsarem, geram ondas de choque que quebram a matriz do biofilme.
Microfluxo Acústico: Gera correntes de fluido que removem detritos e bactérias de áreas de difícil acesso.
Desestruturação: Desestabiliza a matriz tridimensional, tornando as bactérias mais vulneráveis a agentes antimicrobianos.
Benefícios no Tratamento de Feridas
Remoção Eficaz de Biofilme: A desbridamento ultrassônico (especialmente o de baixa frequência) é superior à limpeza convencional na redução da carga bacteriana.
Estímulo à Cicatrização: Além de limpar, as ondas de ultrassom estimulam a produção de fibroblastos e colágeno, acelerando a reparação tecidual.
Redução da Dor: Por ser um método menos invasivo que o desbridamento cortante, tende a ser mais confortável para o paciente, resultando em menor dor durante e após o procedimento.
Preservação de Tecido Saudável: A energia é seletiva, atuando principalmente sobre tecidos desvitalizados e biofilmes.
Tipos de Dispositivos de Ultrassom
Contato Direto: Ponteiras (como sondas metálicas) entram em contato direto com o leito da ferida, desbridando mecanicamente.
Não Contato (Sem contato): Utilizam um meio líquido (como soro fisiológico) para transmitir a energia sem tocar na ferida, sendo ideal para tecidos muito dolorosos ou feridas profundas.
Considerações e Limitações
Biofilmes Maduros: Embora eficiente, o desbridamento ultrassônico pode ter dificuldade em remover biofilmes extremamente maduros e espessos, exigindo intervenções repetidas.
Necessidade de Limpeza Regular: O biofilme pode se reformar em 24 a 48 horas, necessitando de sessões frequentes de desbridamento.
Combinação com outros métodos: A eficácia é maximizada quando associada a agentes antissépticos, como PHMB ou agentes que quebram o biofilme (surfactantes).
O desbridamento ultrassônico é, portanto, uma ferramenta segura e de ponta na "higiene da ferida", essencial para reverter o quadro de estagnação de feridas crônicas.
E o uso especifico do US de 3mhz, o mesmo que é usado na estética:
O uso de ultrassom terapêutico, especificamente na frequência de 3 MHz, é indicado para o tratamento de feridas, agindo de forma superficial (0,8 a 1,6 cm de profundidade) para estimular a cicatrização. Embora o ultrassom de baixa frequência (tipicamente 20-60 kHz) seja o mais documentado para a remoção física de biofilme (desbridamento) por cavitação, o ultrassom de 3 MHz (alta frequência) é amplamente utilizado em modos específicos para promover a regeneração tecidual, aumentar a microcirculação e reduzir a inflamação, o que indiretamente auxilia no manejo do leito da ferida.
Aqui estão os pontos chave baseados nos resultados da pesquisa:
1. Mecanismo de Ação do Ultrassom de 3 MHz na Cicatrização
Foco Superficial: A frequência de 3 MHz atinge camadas mais superficiais da pele, sendo ideal para feridas crônicas e úlceras que não são profundas.
Ação Terapêutica: Estimula fibroblastos, aumentando a produção de colágeno e acelerando a proliferação celular.
Modo de Aplicação: Geralmente utiliza-se o modo pulsado (com ciclo de trabalho baixo, como 20%) para evitar o aquecimento excessivo e focar na estimulação celular, especialmente em feridas agudas ou com inflamação.
Efeitos: Aumenta a circulação sanguínea, alivia a dor e promove a oxigenação do tecido, crucial para combater biofilmes.
2. Diferença entre 3 MHz e Baixa Frequência (Biofilme)
Remoção de Biofilme (Desbridamento): A literatura cita "ultrassom de baixa frequência" (na faixa de kHz) como o mais eficaz para o desbridamento direto e remoção do biofilme via cavitação.
3 MHz (Regeneração): Enquanto frequências menores removem debris, o 3 MHz ajuda a preparar o leito da ferida e estimular a cicatrização após a limpeza.
Nota: O uso de ultrassom de alta frequência (1-3 MHz) com a técnica de fonoforese pode potencializar a ação de agentes antimicrobianos tópicos no biofilme.
3. Protocolo Geral de Uso (3 MHz)
Intensidade: Geralmente baixa, entre 0,3 a 0,5 W/cm².
Ciclo: Pulsado (20% é comum) para evitar danos térmicos.
Limpeza: A ferida deve ser limpa e os detritos superficiais removidos antes da aplicação.
Meio de Acoplamento: Utiliza-se gel de ultrassom estéril ou soro fisiológico, garantindo que o cabeçote não cause trauma na ferida aberta.
Resumo da evidência: O ultrassom de 3 MHz é uma ferramenta valiosa no tratamento de feridas para cicatrização e controle inflamatório. Para desbridamento mecânico agressivo de biofilme, tecnologias de baixa frequência (kHz) são mais citadas, mas o 3 MHz atua na fase de maturação e regeneração tecidual após o desbridamento.
Para mais informações acessem:
Kataoka Y, Kunimitsu M, Nakagami G, Koudounas S, Weller CD, Sanada H. Effectiveness of ultrasonic debridement on reduction of bacteria and biofilm in patients with chronic wounds: A scoping review. Int Wound J. 2021 Apr;18(2):176-186. doi: 10.1111/iwj.13509. Epub 2020 Nov 25. PMID: 33236843; PMCID: PMC8244003.



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